VULNERABILIDADE SOCIAL E IMPACTOS PSICOLÓGICOS EM FAMÍLIAS DE CRIANÇAS COM NECESSIDADE CIRÚRGICA
VULNERABILIDADE SOCIAL E IMPACTOS PSICOLÓGICOS EM FAMÍLIAS DE CRIANÇAS COM NECESSIDADE CIRÚRGICA
SOCIAL VULNERABILITY AND PSYCHOLOGICAL IMPACTS ON FAMILIES OF CHILDREN WITH SURGICAL NEEDS
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10.56161/sci.ed.20250829C12
Jéssica França Mendonça
Graduada em Psicologia
Vanessa Santos da Silva Corrêa Pinto
Doutoranda em Enfermagem e Biociências
Maiton Bernardelli
Doutor em Saúde Coletiva
Maria Vilani Maia Sequeira
Mestrado em Psicologia
Andrea Branco Marinho
Pós Graduação em Centro Cirúrgico e CME
Fabricio de Menezes Baltar
Graduando em Enfermagem
Mariana Abdala Mota de Souza
Graduanda em Psicologia
Samantha Campos Barbara
Graduanda em Psicologia
Thomas Kenzo Aleixo Kawai Costa
Graduando em Medicina
Matheus Neves Araújo
Mestrando em Gestão e Atenção à Saúde
RESUMO:
INTRODUÇÃO: A hospitalização de crianças para procedimentos cirúrgicos configura uma ruptura significativa na dinâmica familiar, exigindo reorganização emocional, logística e social. Essa experiência, já estressante em condições normais, torna-se ainda mais complexa quando vivenciada em contextos de vulnerabilidade social. O ambiente hospitalar, marcado por linguagem técnica pouco acessível, procedimentos invasivos e afastamento de figuras de apego, pode provocar medo, insegurança e sofrimento emocional tanto na criança quanto nos cuidadores. OBJETIVO: Analisar os impactos psicológicos e sociais da hospitalização cirúrgica infantil sobre famílias em situação de vulnerabilidade social, identificando fatores de risco e apontando estratégias de acolhimento e suporte capazes de minimizar tais efeitos. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada por meio de busca nas bases SciELO, LILACS, PubMed e Google Scholar, contemplando publicações entre 2021 e 2024 nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram utilizados descritores como "hospitalização infantil", "cirurgia pediátrica", "vulnerabilidade social" e "saúde mental". Os critérios de inclusão abrangeram estudos que abordassem as dimensões emocionais, sociais e institucionais da hospitalização e cirurgia pediátrica. Foram excluídos artigos com enfoque exclusivamente técnico-cirúrgico ou que não contemplassem a perspectiva familiar. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os estudos analisados revelaram que o processo de hospitalização e cirurgia infantil desencadeia múltiplos impactos, indo além das repercussões físicas do procedimento. Crianças hospitalizadas podem apresentar alterações comportamentais, regressão de habilidades previamente adquiridas, distúrbios do sono e da alimentação, além de sintomas de ansiedade e medo relacionados ao desconhecido. Para os cuidadores, especialmente mães, observa-se alta incidência de estresse, ansiedade, sobrecarga física e emocional, e, em alguns casos, depressão. Em contextos de vulnerabilidade social, esses efeitos são intensificados por barreiras socioeconômicas, como dificuldades financeiras, moradia precária, transporte limitado, baixa escolaridade e pouca compreensão das orientações médicas. A negligência institucional, a falta de comunicação clara e a ausência de acolhimento adequado também foram apontadas como fatores que aprofundam o sofrimento familiar. CONCLUSÃO: O cuidado à criança hospitalizada, especialmente em situações cirúrgicas, deve transcender a dimensão biomédica, incorporando práticas humanizadas, acolhedoras e intersetoriais. Reconhecer o impacto da vulnerabilidade social e atuar para reduzir suas consequências é fundamental para que o atendimento seja integral, ético e protetivo.
Palavras-chave: Hospitalização; Cirurgia Pediátrica; Vulnerabilidade Social; Saúde Mental.