PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ÓBITOS POR DOENÇA DE CHAGAS NO CEARÁ ENTRE 2011 A 2021
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ÓBITOS POR DOENÇA DE CHAGAS NO CEARÁ ENTRE 2011 A 2021
10.56161sci.ed.202312255R6, PDF.pdf
¹ Francisco Lucas Aragão Freire; ² Antonio Tiago da Silva Souza
¹ Universidade Estadual do Piauí ? UESPI, Piauí, Brasil; ² Universidade Federal do Piauí - UFPI, Piauí, Brasil.
Eixo Temático: Parasitologia
E-mail do Autor: flucasaragao250@gmail.com
Orcid do Autor: 0009-0008-4862-3131
10.56161/sci.ed.202312255R6
INTRODUÇÃO: A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, que possui como hospedeiro definitivo o ser humano. Possui duas fases principais, sendo a fase aguda a de início da infecção, em que geralmente não há manifestação de sintomas, sendo o período em que tal protozoário se multiplica no corpo, e no período mais avançado tem-se a fase crônica, que afeta certos órgãos, em especial o coração e partes do sistema digestório. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Chagas está na lista de doenças tropicais negligenciadas, infectando principalmente a parte da população que vive em condições precárias de saúde, em situação de vulnerabilidade. Por se tratar de uma doença que é negligenciada e ainda causar um número significativo de óbitos, percebe-se a relevância deste estudo. OBJETIVO: Determinar as características epidemiológicas e a distribuição espaço-temporal dos óbitos por doença de Chagas no estado do Ceará entre 2011 a 2021. MÉTODOS: Trata-se de um estudo ecológico em que foram analisadas as mortes por doença de Chagas, que ocorreram na população residente do estado do Ceará, divulgados no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), no período de 2011 a 2021, e que foram retirados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foi usada a estatística univariada para a análise descritiva, já para a análise espacial, temporal e realização de cálculo de taxas de mortalidade e mapas, os softwares Tabwin e Microsoft Excel, nesta ordem. Por se tratar de dados de fonte secundária, não houve necessidade de submeter ao Comitê de Ética e Pesquisa (CEP). RESULTADOS: Foram divulgadas 586 mortes envolvendo a doença de Chagas no estado do Ceará no período em análise. Houve predomínio dos casados (323; 55,12%), dos que tinham nenhuma escolaridade (199; 33,96%), pardos (416, 70,99%), sexo masculino (379; 64,68%), com faixa etária de 60 anos ou mais (424; 72,35%) e o local de maior ocorrência o hospital (346; 59,04%). Dentre as cinco Macrorregiões de Saúde do Ceará, as que ocorreram mais óbitos, em ordem decrescente foram: Cariri (193; 32,94%), Litoral Leste/ Jaguaribe (141; 24,06%), Fortaleza (100; 17,06%), Sobral (97; 16,55%) e Sertão Central (55; 9,39%). Além disso, houve tendência linear crescente de mortes ao longo do período analisado (R²= 0,0846). CONCLUSÃO: Frente aos dados apresentados, observa-se que os casos de doença de Chagas no Ceará ocorrem principalmente no sexo masculino, com pessoas com 60 anos ou mais, nos casados, dos que tem nenhuma escolaridade, pardos e do local de maior ocorrência dos óbitos o hospital. Em relação às macrorregiões de saúde, a que ocorreu maior número de óbitos foi a de Cariri, seguida da Litoral Leste/Jaguaribe, revelando que mesmo sem terem as maiores populações do estado se destacam pela elevada mortalidade, sendo necessárias intervenções nessas macrorregiões para reduzir tais valores. Dentre as limitações do estudo, a principal delas está relacionada aos dados do DATASUS, pois pode haver possíveis subnotificações, não apresentando informações totalmente fidedignas, mesmo assim não interferiu na condução desta pesquisa e nem reduz a relevância do trabalho.
Palavras-chave: Análise espacial, Doença de Chagas, Mortalidade.