PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA DOENÇA DE CHAGAS AGUDA NA REGIÃO NORTE NO PERÍODO DE 2017-2021
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA DOENÇA DE CHAGAS AGUDA NA REGIÃO NORTE NO PERÍODO DE 2017-2021
10.56161sci.ed.202312255R10, PDF.pdf
João Pedro Braidi Moura1; Alex Souza de Lima1; Gabriel Fernandes Santos1; João Victor Batista Pires1; Carina Tojal Páscoa Barbosa1; Adriele Fontinele Sales1; Mateus Castro de Souza1; Ágatha Luiza Hoepers Targino1; Maurício Barbosa de Oliveira Filho1; Ildercílio Mota de Souza Lima2
1Graduando em Medicina: Universidade Federal do Acre ? UFAC, Acre, Brasil; 2 Professor: Universidade Federal do Acre ? UFAC, Acre, Brasil;
Eixo Temático: Infectologia
E-mail do Autor: jpbraidi28@gmail.com
Orcid do Autor: 0009-0005-5170-9583
10.56161/sci.ed.202312255R10
INTRODUÇÃO: A doença de chagas ou Tripanossomíase Americana é a condição clínica que resulta da infecção pelo protozoário parasita Trypanossoma cruzi distribuída pelo inseto hematófago, popularmente conhecido como barbeiro, que encontra condições favoráveis de desenvolvimento em situações de habitações precárias e atualmente emergem em regiões periurbanas. A tripanossomíase pode ser transmitida de maneira vetorial, acidental, congênita e principalmente oral, através da contaminação de alimentos, sobretudo caldo de cana e açaí. Sabe-se que a doença de chagas é uma doença endêmica, relacionada às Américas e intrinsecamente atrelada às condições socioeconômicas de desenvolvimento regional, à cultura da alimentação e à desigualdade refletida pela história no continente americano, substancialmente na região Norte do Brasil. Devido a essas variáveis que culminam na prevalência da enfermidade, é necessário analisar as características epidemiológicas da população afetada para o entendimento do perfil da doença na região marginalizada e para o desenvolvimento de políticas públicas. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico da população acometida pela Doença de Chagas aguda na região Norte entre os anos de 2017-2021. METODOLOGIA: Estudo retrospectivo e descritivo com análise de dados referentes aos casos reportados de infecção por Doença de Chagas aguda no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN) coletados através do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram analisados dados de faixa etária, raça, modo provável de infecção e sexo de 1504 casos de todos os estados da região Norte do Brasil, no período entre 2017-2020, calculados com base em estatística descritiva. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Na região Norte, durante o período analisado, foram registrados 1504 casos de Doença de Chagas aguda. A maior quantidade foi registrada no ano de 2018 com 355 casos, cerca de 23,6% do total. Em ordem decrescente, os estados mais significativos nos percentuais foram o Pará, com 1245 casos (82,77%), Amapá, 122 (8,11%), Amazonas, 72 (4,78%) e Acre, 34, (2,26%). Tocantins, Rondônia e Roraima representaram menos de 2% dos casos. As características epidemiológicas observadas mostram predominância de modo provável de infecção oral, com 1303 casos (86,63% do total), seguida da transmissão vetorial com 103 casos (6,84%). Acomete mais homens, (cerca de 53,85%) e mesmo em um país multicultural como o Brasil, cerca de 84,77% dos pacientes são pardos (1275 casos). A preponderância de faixa etária é de 20-39 anos (33,51%), tendo a menor quantidade de casos ocorrido em pacientes abaixo de 1 e acima de 80 anos (ambos com 1,06% do total cada). CONCLUSÃO: Após análise dos dados coletados, percebe-se que o perfil epidemiológico dos pacientes acometidos pela doença de chagas é predominantemente composto por homens, com idade entre 20 e 39 anos, pardos e que se infectaram de maneira oral. Percebe-se também que o estado do Pará, segundo lugar nacional de consumo de açaí por pessoa (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apresenta quantidade mais significativa de casos gerais e por infecção oral, sugerindo uma ligação entre esse consumo e o modo de infecção, demonstrando a necessidade de fortalecimento das estratégias de prevenção em saúde nessas localidades e de uma avaliação da qualidade do açaí consumido. Os resultados apresentados, demonstram a complexidade da resolução da problemática na região e a necessidade do desenvolvimento e adaptação de políticas públicas que democratizem o acesso à saúde em locais afastados dos grandes centros.
PALAVRAS-CHAVE: Chagas, Doença de Chagas aguda, perfil epidemiológico, região Norte.