PANORAMA DA RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA EM ENDOCARDITES E OUTRAS INFECÇÕES CARDÍACAS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
PANORAMA DA RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA EM ENDOCARDITES E OUTRAS INFECÇÕES CARDÍACAS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
PANORAMA OF ANTIMICROBIAL RESISTANCE IN ENDOCARDITIS AND OTHER CARDIAC INFECTIONS: AN INTEGRATIVE REVIEW
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10.56161/sci.ed.20251223C4
Sofia Letchacoski Petriaggi
Graduando do Curso de Medicina do Centro Universitário de Pinhais - FAPI
Orcid: https://orcid.org/0009-0002-7642-6692
João Vitor Mota Chiaratti
Graduando do Curso de Medicina do Centro Universitário de Pinhais - FAPI
Orcid: https://orcid.org/0009-0004-1239-1106
Rafael Shinji Akiyama Kitamura
Professor Assistente dos cursos das áreas da Saúde no Centro Universitário de Pinhais - FAPI
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-1925-3003
RESUMO
As infecções cardíacas, em especial a endocardite infecciosa, configuram um importante desafio clínico e de saúde pública, agravado pela crescente emergência da resistência antimicrobiana. Este capítulo teve como objetivo sintetizar evidências recentes acerca dos principais agentes etiológicos resistentes envolvidos nessas infecções, bem como discutir os mecanismos moleculares de resistência, os impactos clínicos e as implicações terapêuticas associadas. Trata-se de uma revisão integrativa, contemplando a formulação da pergunta norteadora, definição de critérios de elegibilidade, busca estruturada nas bases PubMed/MEDLINE e PubMed Central, seleção dos estudos, extração de dados e síntese temática. Dentre 642 publicações inicialmente identificadas, 13 estudos atenderam aos critérios de inclusão, abrangendo pesquisas clínicas, epidemiológicas, laboratoriais e revisões recentes. Os resultados evidenciaram a predominância de Enterococcus faecium, Enterococcus faecalis, Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis como agentes centrais das infecções cardíacas associadas à resistência antimicrobiana. Destacaram-se mecanismos moleculares como a presença dos genes mecA, vanA e vanB, mutações no 23S rRNA e a aquisição dos genes cfr, optrA e poxtA, diretamente relacionados à falha terapêutica e à persistência infecciosa. A formação de biofilmes emergiu como eixo fisiopatológico fundamental, associando-se à bacteremia persistente, maior refratariedade ao tratamento, prolongamento da hospitalização e necessidade de intervenções cirúrgicas. Observou-se ainda ampla heterogeneidade geográfica nos padrões de resistência, com impacto direto sobre mortalidade, complicações sépticas e recorrência. Estratégias terapêuticas combinadas, como a associação entre daptomicina e ?-lactâmicos, bem como o uso de ampicilina associada à ceftriaxona, demonstraram potencial promissor, embora persistam lacunas quanto à sua eficácia clínica em cenários reais. Conclui-se que as infecções cardíacas por microrganismos multirresistentes representam um fenômeno multifatorial e dinâmico, exigindo integração entre microbiologia, vigilância epidemiológica, farmacologia e políticas de saúde para aprimorar o diagnóstico, o manejo clínico e as estratégias de prevenção.
PALAVRAS-CHAVE: Biofilmes bacterianos, Vigilância epidemiológica, bacteremia persistente, Saúde Única.