ARTIGO
24
Jul
2025
METODOLOGIAS DECOLONIAIS NA IDENTIFICAÇÃO DE VIOLÊNCIAS RACIAIS E DE GÊNERO CONTRA MULHERES NEGRAS

METODOLOGIAS DECOLONIAIS NA IDENTIFICAÇÃO DE VIOLÊNCIAS RACIAIS E DE GÊNERO CONTRA MULHERES NEGRAS

METODOLOGIAS DECOLONIAIS NA IDENTIFICAÇÃO DE VIOLÊNCIAS RACIAIS E DE GÊNERO CONTRA MULHERES NEGRAS

Decolonial Methodologies for Identifying Racial and Genre-Based Violence Against Black Women

CAPÍTULO 23.pdf

10.56161/sci.ed.2025052723

Bárbara Taciana Furtado

Doutora pela Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais

https://orcid.org/0000-0002-5938-9845

Simone de Araújo Medina Mendonça

Professora Adjunta na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais

https://orcid.org/0000-0001-5792-0682

Djenane Ramalho-de-Oliveira

Professora Titular na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais

https://orcid.org/0000-0002-5548-8184

RESUMO

O preconceito racial causa inúmeros problemas de saúde e está envolvido no acesso e na qualidade dos serviços oferecidos a pessoas negras. Na população feminina a confluência do racismo e do sexismo relegam mulheres negras a omissão, negligência e imperícia em serviços de saúde e o ambiente que deveria ser de cuidado se revela um local de propagação de violências onde a mulher se encontra num dos momentos mais vulneráveis. Apesar de inúmeros estudos científicos epidemiológicos e qualitativos identificarem tais problemas, são raros os que evidenciam as rotas do racismo dentro dos serviços de saúde. Assim utilizou-se nesse estudo uma metodologia inovadora onde a pesquisadora acessa suas experiências para evidenciar os mecanismos culturais que levam mulheres negras a receberem menos analgesia potente em serviços de saúde. A metodologia consiste na associação da autoetnografia e da escrevivência numa perspectiva contracolonial/decolonial que permitem o olhar de uma outsider interna em primeira pessoa pela autora principal. Um dos pontos mais robustos da associação dessas metodologias é que o pesquisador esteja imerso no meio onde pesquisa, que tenha robusta experiência e olhar crítico do ambiente cultural onde a pesquisa se dará. Assim a primeira autora é mulher negra, farmacêutica clínica com mais de 20 anos de experiência e pesquisadora qualitativa há mais de duas décadas. Essa experiência revelou perspectivas de vivências subalternizadas pela luz da decolonialidade evidenciando criticamente o contexto cultural colonizado denunciando o racismo enraizado em instituições de saúde e de educação. Denuncia a magnitude do PRM2, necessita de terapia adicional, no caso analgesia potente para dor em mulheres negras, um problema de racismo já robustamente identificado por inúmeros estudos de outros profissionais da saúde, mas ainda praticamente sem menção na farmácia clínica o que nos aponta para um significativo viés racial da ciência envolvida na saúde e na farmácia clínica que tem por objetivo resolver PRMs.

PALAVRAS-CHAVE: Racismo, Escrevivência, violência obstétrica, farmácia clínica e decolonialidade.