ARTIGO
28
Dez
2023
IMPACTOS DO TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR EM PESSOAS QUE VIVEM COM HIV: UMA REVISÃO NARRATIVA

IMPACTOS DO TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR EM PESSOAS QUE VIVEM COM HIV: UMA REVISÃO NARRATIVA

IMPACTOS DO TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR EM PESSOAS QUE VIVEM COM HIV: UMA REVISÃO NARRATIVA

10.56161sci.ed.202312255R12, PDF.pdf

¹João Victor Maciel do Vale; ¹Antônio Guido da Silva Neto; ¹Sebastião José de Almeida Junior; ²Carla Maria Dalamura Terra

¹Graduando pelo Centro Universitário Presidente Antônio Carlos ? UNIPAC, Juiz de Fora, Brasil

²Médica graduada pelo Centro Universitário Presidente Antônio Carlos - UNIPAC, Juiz de Fora, Brasil

10.56161/sci.ed.202312255R12


INTRODUÇÃO: A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam aproximadamente 38 milhões pessoas que vivem com HIV (PVHIV) pelo mundo, sendo que viver com o vírus representa um fator de risco para outras comorbidades, e, entre elas, a depressão se destaca como o transtorno neuropsiquiátrico mais comum, sendo frequentemente em maior gravidade, com altas taxas de prevalência e maior risco de mortalidade. OBJETIVO: Analisar os impactos da associação do Transtorno Depressivo Maior (TDM) em pessoas que vivem com HIV na adesão ao tratamento, carga viral, quantidade de linfócitos T CD4 e risco de mortalidade. MÉTODOS: Foi feita uma revisão narrativa da literatura. A busca de dados foi efetuada na base de dados da National Institutes of health's Library of Medicine (PubMed) e Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs) em Novembro de 2023. Foram utilizados os seguintes descritores: depressão, HIV, adesão ao tratamento e mortalidade. Os critérios de inclusão foram: artigos entre os anos de 2000 e 2023, nos idiomas inglês e português. Foram excluídos os artigos não disponibilizados na íntegra, os pagos e os que fugiam do enfoque. RESULTADOS: A complicação mais grave da depressão em PVHIV é o risco de duas a três vezes maior de mortalidade, podendo variar de acordo com a gravidade do quadro. Estudos relataram na amostra estudada a porcentagem de óbitos sendo 8% em casos de sintomas leves, 16% em sintomas intermitentes, e 23% em sintomas depressivos crônicos, excluindo possíveis fatores de confusão e com p-valor < 0,05. Além disso, outras pesquisas analisaram maior declínio de Linfócitos T CD4 e aumento da carga viral relacionados ao quadro psiquiátrico crônico. No geral, a literatura estudada corrobora com esses achados, justificando-se que PVHIV tem 3 vezes mais chances de não adesão ao tratamento. Somado a isso, embora a melhora dos sintomas depressivos não seja diretamente relacionada com a maior adesão a Terapia Antiretroviral (TARV), ainda que estratégias cognitivo-comportamentais direcionadas a adesão aos tratamentos tanto da depressão quanto do HIV demonstraram associação benéfica. DISCUSSÃO: Existem interseções na neurobiologia do TDM com a fisiopatologia do HIV quando não controlado, sendo elas a neuroinflamação crônica, redução de fatores tróficos e alterações na dopamina e outros neurotransmissores. Essas associações podem criar um cenário de mecanismos teóricos bidirecionais, no qual o HIV pode precipitar sintomas depressivos, e o TDM pode influenciar de maneira indireta a função cognitiva das PVHIV, sendo capaz de diminuir, assim, a adesão ao tratamento. É falado, além disso, dos estigmas sociais de ambas as doenças que podem prejudicar o tratamento correto dessas. CONCLUSÃO: São bem esclarecidos na literatura os impactos do Transtorno Depressivo Maior como comorbidade junto a pacientes que vivem com HIV, possuindo forte associação com a baixa adesão ao tratamento com TARV, com diminuição de Linfócitos T CD4 e aumento da carga viral, com consequente aumento da mortalidade.

Palavras-chave: Transtorno Depressivo Maior, HIV, Adesão ao tratamento.