FILAS DE ESPERA PARA CIRURGIAS PEDIÁTRICAS NO SUS: DESAFIOS ESTRUTURAIS, IMPACTOS PSICOSSOCIAIS E PERSPECTIVAS PARA A HUMANIZAÇÃO
FILAS DE ESPERA PARA CIRURGIAS PEDIÁTRICAS NO SUS: DESAFIOS ESTRUTURAIS, IMPACTOS PSICOSSOCIAIS E PERSPECTIVAS PARA A HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO
WAITING LIST FOR PEDIATRIC SURGERIES IN THE SUS: STRUCTURAL CHALLENGES, PSYCHOSOCIAL IMPACTS AND PERSPECTIVES FOR THE HUMANIZATION OF CARE
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10.56161/sci.ed.20250829C8
Jéssica França Mendonça
Graduada em Psicologia
Sarah Góes Barreto da Silva Moreira
Doutora em Ciências da Saúde
Vanessa Santos Silva Corrêa Pinto
Doutoranda em Enfermagem e Biociências
Naara Karina Maia Batista
Graduanda em Medicina
Thomas Kenzo Aleixo Kawai Costa
Graduando em Medicina
Paula Tatiane da Silva Lopes
Pós graduada em Unidade de terapia intensiva Adulto/Neonatal
Matheus Neves Araújo
Mestrando em Gestão e Atenção à Saúde
Heloisa Andrade de Godoi
Graduanda em Medicina
Emiliana Lopes de Sousa
Pós-graduada em Saúde Pública com ênfase em Saúde da Família
RESUMO
INTRODUÇÃO: Às filas de espera para cirurgias pediátricas no Sistema Único de Saúde (SUS) representam um desafio de saúde pública, marcado por limitações estruturais, desigualdades regionais e impactos psicossociais significativos. A escassez de especialistas, a concentração de serviços em grandes centros e a ausência de protocolos claros de priorização resultam em atrasos no tratamento, agravamento clínico e sobrecarga das famílias. OBJETIVO: Analisar os impactos da espera por procedimentos cirúrgicos pediátricos no SUS, destacando suas repercussões clínicas, sociais e psicológicas, além de apontar estratégias de enfrentamento com foco na eficiência, equidade e humanização do cuidado. MÉTODOS: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo, fundamentada na proposta metodológica de Mendes, Silveira e Galvão (2008). A questão norteadora foi construída pela estratégia PICO: Qual o impacto da fila de espera para cirurgias pediátricas no SUS sobre o prognóstico clínico e a qualidade de vida das crianças? As buscas foram realizadas nas bases SciELO, LILACS e MEDLINE, utilizando descritores DeCS e MeSH combinados com o operador booleano AND. Foram incluídos artigos originais e revisões, publicados entre 2013 e 2024, em português, inglês ou espanhol, disponíveis na íntegra. Excluíram-se duplicatas, resumos, editoriais e estudos não relacionados ao tema. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os achados indicam que a demora na realização de cirurgias eletivas em crianças aumenta o risco de complicações clínicas, prolonga o sofrimento das famílias e pode levar à morte em casos evitáveis. Foram identificados fatores determinantes, como desigualdade regional, insuficiência de leitos hospitalares, escassez de profissionais especializados e deficiências na gestão do SUS. Além disso, a literatura aponta que estratégias de gestão eficiente e investimento em infraestrutura hospitalar têm potencial para reduzir significativamente os índices de mortalidade. Experiências internacionais, como em Portugal, demonstram que reformas estruturais e ampliação da cirurgia ambulatorial podem reduzir significativamente o tempo de espera, apontando caminhos para melhorias no Brasil. CONCLUSÃO: As filas de espera para cirurgias pediátricas no SUS transcendem uma dimensão administrativa, configurando um desafio multidimensional. O enfrentamento desse problema requer políticas públicas que ampliem a oferta de especialistas, fortaleçam a rede de atenção pediátrica e instituam protocolos transparentes de priorização. Simultaneamente, é fundamental incorporar práticas de humanização que reconheçam a criança em sua integralidade, considerando aspectos clínicos, sociais e emocionais. Essa perspectiva integrada é essencial para assegurar o acesso oportuno às intervenções cirúrgicas, promover qualidade de vida e garantir o desenvolvimento saudável da população infantil.
Palavras-chave: Cirurgia Pediátrica; Fila de Espera; Sistema Único de Saúde; Humanização da Assistência; Saúde Infantil.