EVOLUÇÃO TEMPORAL E CARACTERIZAÇÃO DA SÍFILIS CONGÊNITA NO ESTADO DO ACRE, BRASIL, ENTRE 2010 E 2020
EVOLUÇÃO TEMPORAL E CARACTERIZAÇÃO DA SÍFILIS CONGÊNITA NO ESTADO DO ACRE, BRASIL, ENTRE 2010 E 2020
10.56161sci.ed.202312255R4, PDF.pdf
Ágatha Luiza Hoepers Targino1; Mateus Castro de Souza1; Alex Souza de Lima1; Adriele Fontinele Sales1;Gabriel Fernandes Santos1; João Victor Batista Pires1; Carina Tojal Páscoa Barbosa1; Maurício Barbosa de Oliveira Filho1; João Pedro Braidi Moura1; Ildercílio Mota de Souza Lima2
1 Graduando em Medicina: Universidade Federal do Acre ? UFAC, Acre, Brasil; 2 Professor: Universidade Federal do Acre ? UFAC, Acre, Brasil;
Eixo Temático: Infectologia
E-mail do Autor: agathahoepers@gmail.com
Orcid do Autor: 0009-0006-5961-587X
10.56161/sci.ed.202312255R4
INTRODUÇÃO: A Sífilis Congênita (SC) é uma doença infecciosa de transmissão vertical por via placentária da bactéria Treponema pallidum. Nessa óptica, a SC pode causar mortes fetais e neonatais, prematuridade, baixo peso ao nascer e sequelas graves e irreversíveis às crianças. Embora seja uma doença de fácil prevenção e tratamento, a SC é a segunda causa infecciosa mais comum de natimortalidade em todo o mundo. No Brasil, observa-se um aumento expressivo nos casos de sífilis congênita, aumentando de modo significativo entre os anos de 2011 a 2020, passando de 3,3 para 8,5 casos por mil nascidos vivos. Além disso, o agravamento da sífilis é impulsionado por variáveis como a pobreza, alimentação e educação. Portanto, traçar o perfil epidemiológico e evolução da doença no estado do Acre, que é um estado de alta vulnerabilidade social, auxilia na formulação de políticas públicas que visam erradicar esse óbice. OBJETIVO: Analisar e descrever as características epidemiológicas de Sífilis Congênita no estado do Acre, Brasil, no período de 2010 a 2020. MÉTODOS: Trata-se de um estudo retrospectivo descritivo com avaliação de dados secundários coletados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), que foram tabulados e calculados no programa Microsoft Office Excel. A amostra incluiu todos os 706 casos notificados entre 2010 e 2020, analisando a completude de 9 variáveis disponíveis no SINAN. RESULTADOS E DISCUSSÃO: No estado do Acre, durante o período analisado, foram reportados 706 casos, sendo que o ano de 2018 registrou a maior incidência, com 98 casos. A maioria dos casos envolveu mães na faixa etária de 20 a 24 anos, totalizando 227 casos (32%), seguido dos 15 aos 19 anos, com 217 casos (31%). Quanto à etnia, as mulheres pardas representam a maioria dos casos, com 590 notificações (84%). Na análise da escolaridade, a maior parte das mães possui ensino fundamental incompleto, com 170 mulheres (24%), seguido por mães com ensino médio completo e incompleto, ambos com 110 casos (16%). Ao examinar o acompanhamento de saúde durante a gestação, evidenciou-se que 585 mulheres (83%) realizaram o pré-natal. Em relação ao momento do diagnóstico, a maioria das mães foi notificada de sua condição durante o parto, totalizando 310 casos (44%), seguido daquelas que descobriram no pré-natal, com 279 casos (40%). Quanto ao diagnóstico dos recém-nascidos, a maioria foi diagnosticada em até 6 dias de vida, abarcando 675 recém-nascidos (96%). Destes, a maioria dos infectados é do sexo feminino, com 348 meninas (49%), 331 meninos (47%) e 27 em branco (4%). Ao analisar o tratamento nos parceiros dessas mães, constata-se que 546 companheiros (77%) recusaram o procedimento. Por fim, a maior parte das notificações originou-se no município de Rio Branco, totalizando 444 casos (63%), seguido por Cruzeiro do Sul, com 118 casos (17%), e Tarauacá, com 75 casos (11%). CONCLUSÃO: Diante dos dados expostos, conclui-se que a SC emerge como um sério desafio à saúde pública no Acre, refletindo fatores sociodemográficos e lacunas nos serviços de saúde, em especial o acompanhamento pré-natal. Esses achados reforçam a urgência na formulação de políticas eficazes para enfrentar esse desafio, abordando prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. Principalmente para as mães pardas, jovens, de baixa escolaridade, que representam a população mais acometida do estado, para assim mitigar o impacto persistente da sífilis congênita na região.
PALAVRAS-CHAVES: Sífilis Congênita; Epidemiologia; Acre; Saúde Pública; Prevenção