ARTIGO
24
Jul
2025
ENTRE ESPELHOS PARTIDOS E ALGORITMOS: A INFLUÊNCIA DOS DISCURSOS DA MACHOSFERA NA SUBJETIVIDADE ADOLESCENTE

ENTRE ESPELHOS PARTIDOS E ALGORITMOS: A INFLUÊNCIA DOS DISCURSOS DA MACHOSFERA NA SUBJETIVIDADE ADOLESCENTE

ENTRE ESPELHOS PARTIDOS E ALGORITMOS: A INFLUÊNCIA DOS DISCURSOS DA MACHOSFERA NA SUBJETIVIDADE ADOLESCENTE

BETWEEN SHATTERED MIRRORS AND ALGORITHMS: THE INFLUENCE OF MANOSPHERE'S HATE SPEECHES IN ADOLESCENT SUBJECTIVITY

CAPÍTULO 22.pdf

10.56161/sci.ed.2025052722

Alice Ferreira da Silva

https://orcid.org/0009-0008-6270-6937

Joyce Heloysa da Silva Luz

Profissional-Orientador CRP 02/30741

https://orcid.org/0009-0009-5147-9123

Ana Luiza Marques da Silva

Centro Universitário Frassinetti do Recife - UNIFAFIRE

https://orcid.org/0009-0008-8763-1740

Hellen Santos do Nascimento

https://orcid.org/0009-0005-4990-6828

Ronny Bruno Santana Alves

Centro Universitário Frassinetti do Recife - UNIFAFIRE

https://orcid.org/0009-0000-1355-7914

RESUMO

O feminino na contemporaneidade brasileira representa uma intermitente luta por direitos igualitários. Contudo, à medida que a mulher conquista maior espaço social, crescem também as ameaças que a cercam. Para Simone de Beauvoir (1970), não se nasce mulher ? torna-se mulher em uma estrutura social que atribui sentidos ao feminino. O presente trabalho visa compreender como os discursos com teor antifeminino disponíveis nos ciberespaços ressoam para os adolescentes em seu processo de construção subjetiva, a partir da teoria psicanalítica, em diálogo com uma análise interpretativa entre ficção e realidade. Utilizou-se uma abordagem qualitativa aliada à revisão bibliográfica narrativa, a fim de construir uma base teórico-conceitual interpretativa. A pesquisa apontou que o adolescente apoia-se em identificações com modelos idealizados de virilidade, frequentemente construídos como resposta simbólica à falta. Assim, os discursos misóginos reforçam uma suposta superioridade masculina como forma de defesa contra uma masculinidade percebida como ameaçada ? frequentemente afirmada por meio da dominação e da violência simbólica. A permissividade e o anonimato presentes nos ciberespaços facilitam a experimentação de situações que, no ambiente físico, não seriam cogitadas, reduzindo a percepção de responsabilidade, tendo como exemplo a prática da misoginia. Com o tempo, pode emergir uma postura marcada pela ausência de empatia, em que, mesmo ciente das consequências de seus atos, o sujeito não se sente afetado por elas. Nessas condições, o desejo de pertencimento pode se sobrepor à ética, normalizando e até valorizando o desrespeito, o individualismo e a indiferença. O sentimento de perda de uma masculinidade idealizada pode ainda ser convertido em agressividade. Diante do protagonismo dos adolescentes nos ciberespaços e da especificidade dessa etapa do desenvolvimento, torna-se fundamental refletir sobre os efeitos psíquicos da misoginia digital na constituição do sujeito.

PALAVRAS-CHAVE: Adolescente; Feminino; Masculinidade; Teoria Psicanalítica; Violência.